Encerrando ciclos

Nem sempre encerrar ciclos é fácil. Porém, uma coisa é certa: independente do que estiver acontecendo, a vida seguirá seu curso. O sol vai se pôr, a noite vai chegar. O dia dará lugar a noite e a noite dará lugar ao dia.

A forma como cada um lida com o fechamento de ciclos varia. Geralmente, sofre mais aquele com dificuldade de se “desapegar” de algo, seja uma ideia, uma crença, algo material ou não. O apego não deixa de ser uma TENTATIVA de CONTROLE do próprio ego no sentido de gerar um estado de paz e tranquilidade na mente. O apego gera um  “falso” estado de segurança.

Porém, quando você se depara com uma situação impossível de controlar e modificar ou então percebe que aquele controle que imaginava ter não existe, eis que surge o sofrimento. Entram em cena, a insegurança, a dificuldade de deixar ir o velho para a chegada do novo. Além do medo de perder o controle, do que já é conhecido, é possível que a dificuldade de encerrar ciclos esteja relacionada a uma “pendência emocional”.

Ficar apegado ao passado é uma forma de não conseguir viver o presente intensamente, e nem sequer se abrir a possibilidades futuras.

O PASSADO se fará PRESENTE se você permanecer apegado a mágoas e ressentimentos.

Essas situações inacabadas, mal resolvidas,  insistem em retornar a atualidade para serem fechadas numa tentativa ou oportunidade de darmos um novo sentido a uma experiência vivida, ressignificar. Portanto, não ignore aquilo que te incomoda. Encare o que está pendente. Reconheça o que te impede de seguir. Aquilo que insiste em retornar.

Se você está nessa encruzilhada e pretende sair desse lugar, sugiro que reavalie suas pendências ou incompletudes através dos seguintes aspectos: Responsabilização, Aceitação e Gratidão.

Primeiro: não se vitimize. De nada adianta tentar encontrar culpados pelo que acontece em sua vida, o que só irá alimentar ainda mais sua dor e fortalecer o lugar de VÍTIMA. Responsabilize-se por onde está e para onde deseja ir. Assuma o controle de poder mudar. Em segundo: aceite o que já foi. O passado não volta. Remoer situações só contribuirá para reforçar seu sentimento de insatisfação e fracasso. Terceiro: seja grato. A gratidão é capaz de dissolver as amarras do passado, libertar de emoções negativas. Quando você exercita a gratidão, automaticamente você estará direcionando e treinando sua mente a focar no que é positivo. Agradecer o que se TEM é uma forma de permanecer no PRESENTE, e deixar de focar apenas na FALTA.

E assim, deixar fluir. Soltar, desapegar. Ficar em paz com o seu passado.

 

Encerrando ciclos

                                                          (Sonia Hurtado, adaptações de Paulo Coelho)

“ Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final…

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesma que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração, e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é”

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